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O que o marketing de influência pode aprender com as campanhas do Canva

As campanhas do Canva se tornaram um verdadeiro case de sucesso para profissionais de marketing, criadores de conteúdo e marcas que desejam gerar impacto nas redes sociais.

Seja com a Xuxa lançando produtos para adultos, Graciane Barbosa criando uma marca de ovos ou o retorno de Agostinho Carrara em uma campanha inédita, o Canva conseguiu fazer algo que poucas empresas conseguem: transformar publicidade em entretenimento.

No entanto, o sucesso das campanhas do Canva vai muito além de ideias criativas ou celebridades conhecidas. Por trás de cada ação existe uma estratégia bem estruturada que combina branding, marketing de influência, relevância cultural, amplificação orgânica e uma profunda compreensão do comportamento do público nas redes sociais.

Durante sua participação no Influency.me Cast, Felipe Godoy, ex-diretor de marketing do Canva e ex-líder de Growth do Pinterest na América Latina, compartilhou os bastidores dessas campanhas e revelou aprendizados valiosos para quem trabalha com influência digital.

Neste artigo, reunimos as principais lições que o marketing de influência pode aprender com as campanhas do Canva e como esses insights podem ser aplicados em diferentes estratégias de marca.

As campanhas do Canva mostram que influência vai muito além da conversão

campanhas do canva

Durante muitos anos, o marketing de influência foi associado principalmente à geração de vendas. Afinal, marcas passaram a investir em influenciadores buscando resultados rápidos e facilmente mensuráveis.

Entretanto, Felipe Godoy faz um alerta importante: limitar uma campanha apenas à conversão pode fazer com que empresas deixem de enxergar grande parte do seu valor.

Segundo ele:

“Eu acho que a grande questão é esse equilíbrio, né? Se eu vou medir, por exemplo, conversão, será que eu tô entendendo o impacto que esse influenciador tem na minha marca? Será que eu tô conseguindo medir o quanto eu tô chegando em novas pessoas?”

Essa reflexão é especialmente relevante em um cenário onde muitas empresas cobram resultados imediatos de ações que também possuem um papel estratégico na construção de marca.

Por isso, as campanhas do Canva não foram planejadas apenas para gerar vendas. Na prática, elas tinham como objetivo aumentar awareness, fortalecer a consideração da marca e ampliar a percepção do público sobre as soluções oferecidas pela plataforma.

Em outras palavras, o Canva entendeu que construir relevância é tão importante quanto gerar conversão.

O papel dos influenciadores nas campanhas do Canva

campanhas do canva

Um dos maiores aprendizados compartilhados por Felipe é que os influenciadores não devem ser vistos apenas como canais de distribuição.

Pelo contrário, eles precisam ser considerados extensões da narrativa criada pela marca.

Segundo ele:

“A gente usava os influenciadores para dar vida longa à campanha, porque cada um deles trazia uma perspectiva diferente.”

Essa estratégia foi fundamental para o sucesso das campanhas do Canva.

Enquanto a campanha principal apresentava a história central, os criadores de conteúdo ajudavam a expandir a conversa por meio de novos formatos, opiniões, reacts e conteúdos derivados.

Consequentemente, a campanha deixava de ser apenas uma peça publicitária e se transformava em um assunto presente em diferentes comunidades.

Além disso, cada influenciador contribuía com sua própria audiência, permitindo que a mensagem alcançasse públicos diversos sem perder autenticidade.

Por que as campanhas do Canva geram tanta amplificação orgânica?

Entre todos os conceitos apresentados por Felipe Godoy, um dos mais importantes é o de amplificação orgânica.

Segundo ele:

“Amplificação orgânica é mídia de graça.”

A lógica é simples: Quando uma campanha desperta curiosidade, identificação ou entretenimento, as próprias pessoas passam a compartilhá-la. Dessa forma, a marca conquista alcance adicional sem depender exclusivamente de mídia paga.

Foi exatamente isso que aconteceu com as campanhas do Canva.

As ações protagonizadas por Xuxa e Graciane Barbosa ultrapassaram 146 milhões de visualizações orgânicas, um resultado impressionante para conteúdos publicitários.

Além disso, milhares de pessoas comentaram, compartilharam e produziram conteúdos derivados sobre as campanhas.

Esse comportamento demonstra uma mudança importante no consumo de publicidade.

Hoje, as pessoas não compartilham anúncios, as pessoas compartilham histórias interessantes.

Por isso, marcas que desejam aumentar seu alcance precisam criar campanhas que despertem conversas genuínas.

O conceito de “absurdo possível” nas campanhas do Canva

Uma das expressões mais marcantes utilizadas por Felipe Godoy durante o episódio foi “absurdo possível”.

Segundo ele:

“Quando você cria algo que é muito absurdo, mas que também tem margem para ser possível, você gera debate.”

Esse conceito ajuda a explicar o enorme sucesso da campanha GraciOvos.

Quando Graciane Barbosa apareceu lançando sua própria marca de ovos, muita gente acreditou.

Ao mesmo tempo, outras pessoas desconfiaram.

E foi justamente essa dúvida que gerou milhões de comentários, compartilhamentos e reacts.

A campanha permaneceu durante 24 horas sem revelar a participação do Canva.

Nesse período, influenciadores, especialistas em marketing e criadores de conteúdo passaram a comentar espontaneamente o assunto.

Como resultado, a campanha atingiu mais de 30 milhões de visualizações em apenas um dia.

Portanto, uma das maiores lições para o marketing de influência é que o engajamento nasce da curiosidade.

Quanto mais uma campanha desperta conversas, maiores são suas chances de ganhar alcance orgânico.

Relevância cultural: o verdadeiro diferencial das campanhas do Canva

Embora muita gente associe o sucesso das campanhas do Canva apenas à criatividade, Felipe destaca outro fator decisivo: a conexão cultural.

Segundo ele:

“Eu preciso mostrar que eu entendo a história do Brasil, que eu entendo o que tá acontecendo e eu entendo o brasileiro.”

Essa visão explica a escolha de personagens como Xuxa e Agostinho Carrara.

Ambos já fazem parte da memória afetiva de milhões de brasileiros. Por isso, suas participações geram identificação instantânea.

Além disso, as campanhas foram construídas respeitando a essência desses personagens.

No caso da Xuxa, por exemplo, o Canva recriou elementos visuais que remetiam aos programas que marcaram gerações.

Já no caso de Agostinho Carrara, a campanha resgatou exatamente as características que fizeram o personagem se tornar um ícone da televisão brasileira.

Dessa forma, o público não sentiu que estava assistindo a uma propaganda tradicional. Na verdade, teve a sensação de reencontrar personagens que já faziam parte de sua história.

O que as campanhas do Canva ensinam sobre Social First

Outro conceito central apresentado por Felipe foi o Social First.

Segundo ele:

“Eu preciso construir uma história que seja maior que o produto.”

Essa frase resume perfeitamente a estratégia das campanhas do Canva. Em vez de criar anúncios focados apenas nas funcionalidades da plataforma, a marca passou a desenvolver histórias capazes de capturar a atenção das pessoas nas redes sociais.

Além disso, essas campanhas já nasciam pensadas para ambientes como Instagram, TikTok e YouTube. Ou seja, não eram anúncios adaptados para as redes, eram campanhas criadas especificamente para elas.

A ação com Agostinho Carrara ilustra bem esse conceito.

Enquanto a publicidade tradicional costuma trabalhar com vídeos curtos, o Canva lançou um conteúdo com mais de quatro minutos de duração. E o mais interessante é que as pessoas assistiram.

https://www.instagram.com/reel/DX9S8-hRuC4/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

Isso aconteceu porque a narrativa era mais importante do que o tempo de exibição.

Consequentemente, a campanha conseguiu gerar retenção, compartilhamentos e engajamento muito acima do esperado.

Influenciadores devem ampliar a narrativa, não apenas repetir mensagens

Outro aprendizado importante das campanhas do Canva é a forma como a marca trabalha com influenciadores.

Em vez de simplesmente entregar um briefing rígido, o Canva permite que cada criador conte a história do seu próprio jeito.

Essa estratégia ficou evidente na campanha de Agostinho Carrara.

Após o lançamento da ação principal, diversos influenciadores passaram a produzir conteúdos relacionados à Carrara Modas.

Segundo Felipe:

“Cada criador tem a base da história, mas ele vai contar do seu jeito.”

Essa liberdade criativa faz toda a diferença. Afinal, quando o conteúdo parece natural, ele gera mais identificação.

Por outro lado, quando o público percebe que o criador está apenas reproduzindo uma mensagem pronta, a comunicação perde força.

Portanto, marcas que desejam melhorar seus resultados em marketing de influência precisam enxergar os influenciadores como parceiros criativos e não apenas como veículos de mídia.

O futuro do marketing de influência passa pelos criadores

Ao falar sobre o futuro da Creator Economy, Felipe foi bastante direto.

Segundo ele:

“Os criadores de conteúdo são fundamentais para fazer com que as narrativas sejam nativas.”

Atualmente, muitas marcas ainda encontram dificuldades para se comunicar nas redes sociais.

Embora invistam cada vez mais em mídia, nem sempre conseguem produzir conteúdos que realmente conversem com o público.

Nesse contexto, os influenciadores desempenham um papel essencial, eles entendem as plataformas, conhecem a linguagem das comunidades, sabem quais formatos funcionam e conseguem transformar mensagens corporativas em conteúdos relevantes.

Por isso, a tendência é que a participação dos criadores se torne ainda mais estratégica nos próximos anos.

O framework por trás das campanhas do Canva

Para encerrar o episódio, Felipe compartilhou um framework que ajudou a orientar o desenvolvimento das campanhas do Canva.

O método é chamado de CADA:

  • Contexto
  • Audácia
  • Decisão
  • Ação

Segundo ele, esse processo foi fundamental para transformar boas ideias em campanhas capazes de gerar conversas, engajamento e construção de marca.

Contexto: entender o que está acontecendo na cultura

O primeiro passo é compreender profundamente o cenário em que a marca está inserida.

Para Felipe, toda grande campanha nasce da observação do comportamento das pessoas, das conversas que já estão acontecendo nas redes sociais e das mudanças do mercado.

No caso do Canva, a equipe percebeu que as redes sociais estavam se tornando cada vez mais importantes para as marcas. No entanto, muitas empresas ainda produziam campanhas tradicionais, sem considerar a linguagem e a dinâmica das plataformas digitais.

Além disso, eles identificaram que o público buscava conteúdos mais autênticos, divertidos e compartilháveis.

Foi justamente essa leitura de cenário que serviu como ponto de partida para campanhas como Xuxa Só Para Adultinhos, GraciOvos e Carrara Modas.

Como explica Felipe:

“O social tem cada vez mais importância, mas as marcas ainda não entendem como trabalhar com ele.”

Audácia: ter coragem para fazer algo diferente

Depois de entender o contexto, chega o momento da audácia.

Na visão de Felipe, não basta compreender o mercado. É preciso criar algo que se destaque em meio ao excesso de conteúdo que disputa a atenção das pessoas diariamente.

Foi essa coragem que levou o Canva a apostar em ideias consideradas arriscadas.

A marca lançou uma empresa de ovos que não existia. Produziu um vídeo publicitário com mais de quatro minutos de duração. Trouxe de volta personagens icônicos da cultura brasileira e criou campanhas que pareciam mais entretenimento do que publicidade.

Em vez de seguir fórmulas prontas, a equipe decidiu explorar caminhos pouco convencionais. E foi justamente essa ousadia que fez as campanhas ganharem repercussão orgânica.

Decisão: avaliar riscos antes de executar

Apesar da criatividade e da ousadia, Felipe deixa claro que nenhuma campanha foi construída de forma impulsiva.

Antes da execução, a equipe avaliava diferentes cenários, identificava possíveis riscos e analisava o impacto que cada decisão poderia gerar para a marca.

Segundo ele, quando uma campanha entra na internet, ela passa a ser interpretada de maneiras que nem sempre podem ser controladas.

Por isso, é fundamental mapear possíveis reações do público e estar preparado para responder rapidamente caso algo saia do planejado.

Essa etapa mostra que criatividade e estratégia precisam caminhar juntas. Afinal, campanhas inovadoras não são fruto apenas de boas ideias, mas também de uma gestão inteligente dos riscos.

Ação: executar no momento certo

Por fim, chega o momento de colocar a campanha no ar. No entanto, agir não significa apenas executar, significa agir com velocidade.

Felipe destaca que as redes sociais mudam constantemente e que muitas oportunidades desaparecem quando as marcas demoram para tomar decisões.

Por isso, depois de analisar o contexto, desenvolver uma ideia ousada e avaliar os riscos, é preciso agir rapidamente para aproveitar o timing da conversa.

Foi exatamente essa combinação que permitiu ao Canva criar campanhas que geraram milhões de visualizações, conquistaram mídia espontânea e fortaleceram o posicionamento da marca.

O que profissionais de marketing podem aprender com o CADA?

O grande diferencial do framework CADA é mostrar que campanhas de sucesso não dependem apenas de criatividade.

Elas nascem da combinação entre leitura de cenário, coragem para inovar, planejamento estratégico e capacidade de execução.

As campanhas do Canva demonstram que viralizar é consequência. O verdadeiro objetivo é construir relevância cultural e fortalecer a marca ao longo do tempo.

Por isso, o método CADA se torna uma referência não apenas para campanhas de branding, mas também para ações de marketing de influência, creator economy e comunicação digital.

Conclusão

As campanhas do Canva mostram que o marketing de influência está passando por uma transformação importante.

Hoje, não basta apenas contratar influenciadores ou investir em mídia, é preciso criar histórias,entender a cultura, gerar conversas.

Ao longo do episódio, Felipe Godoy mostrou que os melhores resultados surgem quando criatividade, estratégia, branding e influência trabalham juntos.

Além disso, ficou claro que campanhas memoráveis são aquelas que conseguem se tornar parte da cultura e não apenas interrompê-la. Por isso, as campanhas do Canva se tornaram referência para profissionais de marketing em todo o mundo.

Mais do que ações publicitárias bem executadas, elas representam uma nova forma de construir marcas na era das redes sociais.

E, para quem trabalha com marketing de influência, talvez essa seja a principal lição: as pessoas podem esquecer anúncios, mas dificilmente esquecem histórias que as fizeram sentir, comentar e compartilhar.