IA vai substituir influenciadores? O que a pesquisa da FGV revelou

IA e influenciadores estão no centro de uma das discussões mais importantes da Creator Economy. Afinal, com o avanço acelerado da Inteligência Artificial, muitas marcas e profissionais de marketing começaram a se perguntar se os criadores virtuais poderão substituir os influenciadores humanos nos próximos anos.
No entanto, embora o tema gere opiniões divergentes, poucas análises foram tão aprofundadas quanto a pesquisa apresentada por Marcos Facó, CMO da Fundação Getulio Vargas (FGV), durante sua participação no Influency.me Cast.
Para investigar essa questão, Facó conduziu um experimento real no TikTok, comparando o desempenho de influenciadores humanos e influenciadores virtuais em diferentes tipos de conteúdo. Como resultado, o estudo revelou descobertas surpreendentes sobre credibilidade, emoção, performance e o futuro do marketing de influência.
Mas será que a Inteligência Artificial realmente pode substituir os creators? Ou estamos caminhando para um cenário em que humanos e máquinas atuarão lado a lado?
Neste artigo, você vai entender os principais resultados da pesquisa, descobrir quando a IA supera os influenciadores humanos e conhecer as tendências que devem moldar o futuro da Creator Economy.
A pesquisa da FGV que colocou IA e influenciadores frente a frente
Para responder à pergunta que dá título a este artigo, Marcos Facó liderou uma pesquisa inédita que comparou, em condições reais de mercado, o desempenho de influenciadores humanos e influenciadores virtuais.
Em vez de realizar apenas testes em laboratório, os pesquisadores decidiram levar o experimento para o ambiente onde grande parte da Creator Economy acontece atualmente: o TikTok.
Para isso, foram produzidos quatro vídeos:
- Dois protagonizados por uma influenciadora humana;
- Dois protagonizados por uma influenciadora virtual criada com IA;
- Conteúdos divididos entre abordagens emocionais e racionais.
Além disso, os vídeos foram impulsionados com investimento real em mídia paga, totalizando R$ 20 mil, distribuídos igualmente entre as quatro peças.
“Eu acreditava que o influenciador humano realmente ia ter um desempenho melhor do que o virtual. E, na verdade, foi ao contrário.”
Dessa forma, o estudo buscou avaliar não apenas alcance ou engajamento, mas principalmente a capacidade de gerar cliques e interesse em uma oferta relacionada a programas de pós-graduação.
A IA venceu em um cenário específico
Os resultados da pesquisa desafiaram algumas das principais crenças do mercado.
Enquanto muitos profissionais acreditavam que os influenciadores humanos levariam vantagem em todos os cenários, a realidade mostrou um comportamento diferente.
Quando o conteúdo possuía uma abordagem racional, baseada em fatos, números e argumentos objetivos, a influenciadora virtual apresentou desempenho superior.
Nesse contexto, a personagem criada com IA superou a influenciadora humana em aproximadamente 5% na taxa de cliques.
Segundo Facó:
“O virtual superou o humano e a métrica que estávamos medindo era performance.”
Além disso, a pesquisa indicou que os participantes atribuíam maior percepção de expertise ao influenciador virtual quando o conteúdo envolvia dados e informações técnicas.
Em outras palavras, muitas pessoas acreditam que uma inteligência artificial possui maior capacidade para processar grandes volumes de informação e apresentar respostas precisas.
Consequentemente, isso pode aumentar a confiança em conteúdos mais racionais.
Onde os influenciadores humanos continuam imbatíveis
Por outro lado, os resultados foram completamente diferentes quando o assunto passou a ser emoção.
Enquanto a IA obteve bons resultados em conteúdos informativos, os influenciadores humanos dominaram as mensagens emocionais.
Nesse caso, a diferença chegou a superar 50%.
Segundo Marcos Facó:
“O humano tem um diferencial na questão emocional porque o influenciador virtual não tem experiência de vida.”
Essa descoberta reforça uma das características mais importantes do marketing de influência.
Afinal, criadores não vendem apenas informações, eles compartilham histórias, experiências, desafios, aprendizados e emoções que geram identificação com a audiência.
Além disso, quando um influenciador relata uma experiência real, o público percebe autenticidade e conexão humana.
Já uma inteligência artificial, pelo menos atualmente, não consegue reproduzir de forma genuína vivências pessoais.
Portanto, conteúdos emocionais continuam sendo um território em que os creators humanos possuem uma vantagem significativa.
O futuro não é IA ou influenciadores. É IA e influenciadores.
Apesar de muitas manchetes tratarem o tema como uma disputa entre humanos e máquinas, essa não é a visão de Marcos Facó.
Segundo ele, o cenário mais provável para os próximos anos envolve colaboração e não substituição.
Como o próprio pesquisador destacou:
“O ideal não é um ou outro. O ideal é você usar os dois.”
Nesse sentido, as marcas podem explorar o melhor de cada formato.
Por exemplo, essa seria a atuação de cada um:

Dessa forma, as empresas conseguem combinar autenticidade e eficiência em uma mesma estratégia.
A credibilidade continua sendo o ativo mais importante
Durante todo o episódio, um conceito apareceu repetidamente: credibilidade.
Segundo Facó, a Creator Economy se tornou tão poderosa porque os influenciadores conseguem transferir confiança para as marcas.
Nas palavras dele:
“A atenção virou uma moeda valiosa, mas a credibilidade é ainda mais importante.”
Antigamente, a publicidade dependia principalmente da exposição em canais de massa.
Hoje, no entanto, a confiança construída por um creator pode ter mais impacto do que uma campanha tradicional.
Por isso, escolher influenciadores apenas pelo número de seguidores pode ser um erro.
Além do alcance, é fundamental analisar fatores como:
- Reputação;
- Compatibilidade com a marca;
- Qualidade da audiência;
- Histórico profissional;
- Capacidade de gerar influência real.
Afinal, sem credibilidade, não existe influência.
O próximo passo: influenciadores virtuais que vendem
Outro ponto interessante levantado durante o podcast foi a evolução dos influenciadores virtuais para além da produção de conteúdo.
Segundo Facó, estamos caminhando para um cenário em que personagens de IA poderão participar diretamente da jornada de compra.
Ele afirma:
“O influenciador virtual vai participar da jornada de compra.”
Na prática, isso significa que um avatar poderá aparecer em campanhas nas redes sociais, responder dúvidas dos consumidores e acompanhar o usuário durante todo o processo de decisão.
Além disso, com a evolução dos agentes de IA, esses personagens poderão atuar 24 horas por dia, sete dias por semana.
Consequentemente, o marketing de influência poderá deixar de ser apenas uma ferramenta de awareness para se tornar também uma poderosa ferramenta de conversão.
O novo marketing exige profissionais mais analíticos
Ao longo da conversa, Facó também destacou como a profissão de marketing está passando por uma transformação profunda. Segundo ele, o profissional moderno precisa desenvolver habilidades que vão muito além da criatividade.
Hoje, compreender dados, métricas, tecnologia e inteligência artificial se tornou uma necessidade competitiva.
Como ele explicou:
“O marketing era uma piscina rasa. Agora ela está ficando mais funda.”
Nesse cenário, áreas como Business Intelligence, estatística, engenharia e ciência de dados estão cada vez mais presentes dentro dos departamentos de marketing.
Ao mesmo tempo, isso não significa abandonar a criatividade.
Pelo contrário.
As marcas que conseguem unir criatividade, tecnologia e análise de dados tendem a construir vantagens competitivas mais sustentáveis.
O que as marcas devem fazer agora?
Diante dos resultados da pesquisa, uma conclusão se torna evidente.
A Inteligência Artificial ainda não substitui os influenciadores humanos.
No entanto, ela já demonstra potencial para complementar e ampliar os resultados das estratégias de marketing de influência.
Por isso, em vez de enxergar a IA como uma ameaça, as marcas devem começar a explorá-la como uma ferramenta estratégica.
Além disso, empresas que aprenderem a combinar tecnologia, dados e influência humana poderão criar campanhas mais eficientes e relevantes.
Em um mercado cada vez mais competitivo pela atenção do consumidor, essa capacidade de adaptação pode se tornar um diferencial importante.
Assista ao episódio completo e tire suas próprias conclusões: IA vai substituir influenciadores ou estamos entrando em uma era de colaboração entre humanos e tecnologia?
Conclusão
A discussão sobre IA e influenciadores está apenas começando.
Embora a Inteligência Artificial já seja capaz de superar influenciadores humanos em determinados contextos, especialmente quando o conteúdo é racional e orientado por dados, ela ainda encontra limitações quando o assunto é emoção, autenticidade e experiência de vida.
Por outro lado, os creators humanos continuam sendo fundamentais para gerar identificação e construir relacionamentos genuínos com o público.
Portanto, a principal lição da pesquisa da FGV não é que a IA substituirá os influenciadores.
Na verdade, o estudo aponta para um futuro em que humanos e inteligência artificial atuarão de forma complementar.
E, à medida que a tecnologia evolui, as marcas que souberem equilibrar esses dois universos estarão mais preparadas para liderar a próxima fase da Creator Economy.
